Agora é lei: uso de cerol pode gerar multa de R$ 2,5 mil na Paraíba

A partir de agora, o uso de linhas com cerol em pipas, papagaios, pandoras e artefato está proibido, na Paraíba, pela Lei 10.186/2013, de autoria do deputado estadual Frei Anastácio (PT). A lei estabelece multas variando de R$ 500 a R$ 2.500, além de boletim de ocorrência na polícia, para o infrator ou seu responsável. O dinheiro arrecadado com as multas será destinado integralmente ao Fundo Estadual para a Criança e a Adolescência.

“O cerol é aquela substância extremamente cortante e assassina que algumas crianças e adolescentes passam na linha da pipa. Essa proibição já é feita através de lei, em João Pessoa, e agora passa a ser lei em todo estado da Paraíba. O pagamento de multa não exime o infrator das responsabilidades civil e penal, no caso de danos a pessoa física, ao patrimônio público ou à propriedade privada”, disse o deputado.

O parlamentar argumentou que a diversão infantil de soltar pipas deixou de ser inocente quando as pessoas passaram a utilizar o cerol nas linhas dos brinquedos. Esse ato criminoso passou a ocasionar inúmeros acidentes fatais, principalmente após a difusão da utilização de motocicletas para o transporte de correspondências, documentos e entregas em geral.

“Não se pode admitir que hoje em dia, com toda a informação disponível, as pessoas ignorem o incalculável perigo que o uso do cerol em linhas de pipas, papagaios e similares traz à vida das pessoas. Com isso, o Poder Público tem o dever de atuar repressivamente nesta questão, a fim de manter a paz social. Portanto, a utilidade e a viabilidade deste projeto são facilmente constatáveis”, destacou o deputado.

De acordo com Frei Anastácio, o projeto dele que é semelhante ao que já existe no estado do Paraná, fica proibido o uso de cerol ou de qualquer outro tipo de material cortante nas linhas de pipas, papagaios, e de semelhantes artefatos, em áreas públicas e comuns, em todo o território do estado do Paraíba.

 

Quem vai fiscalizar

Caberá aos integrantes das Polícias Militar, Civil e do Corpo de Bombeiros Militar, com apoio complementar dos agentes de fiscalização municipal zelar pelo fiel cumprimento destas normas. A inobservância do disposto na lei acarretará na lavratura do competente boletim de ocorrência, sujeitando o infrator ou seu responsável legal, ao pagamento de multa.

O deputado explicou que o valor da multa poderá será acrescido de percentual a título de agravante, considerando o grau de ameaça, potencial ou efetiva, representada pelo uso do cerol, e a que estiver sujeita a comunidade no momento da infração.

Isso pode ser agravado com as seguintes situações: Infração de natureza gravíssima, quando o uso do artefato com linha de cerol ocorrer, concorrentemente ou não, em áreas com trânsito intenso de pedestres e veículos, na vizinhança de escolas, hospitais, instalações públicas, redes expostas de eletricidade e de telecomunicações.

Infração de natureza grave: quando o uso do artefato com linha de cerol ocorrer em qualquer outra área pública ou comum. A forma de arrecadação da multa será definida por Portaria do Secretário de Estado da Fazenda, sendo os valores arrecadados destinados, integralmente, ao Fundo Estadual para a Criança e a Adolescência. O material apreendido deverá ser incinerado.

 

 

Aumento da violência na PB

Frei Anastácio também registrou, na Assembleia, um estudo divulgado pela Universidade Federal de Campina Grande, que mostra aumento de 286% no índice de homicídios na Paraíba nos últimos dez anos. A pesquisa mostra que as cidades de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Patos concentram mais de 60% dos assassinatos.

“Mas, enquanto isso acontece, o governo do estado reduziu em 18% o orçamento para segurança em 2014. Em outras palavras, enquanto a violência se alastra na Paraíba, o governo estadual diminui os recursos para combatê-la. Isso quer dizer que há pouca preocupação com as vidas humanas que estão sendo ceifadas”, disse o deputado.

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