Após oito horas presos, trabalhadores sem terra são libertados em Santa Rita

Os cinco trabalhadores sem terra, do acampamento 15 de Novembro,que estavam presos desde o início da manhã desta quarta-feira, na delegacia de Santa Rita, foram libertados no final da tarde, após pagamento de fiança. Eles estão sendo assistidos pelos advogados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e já estão juntos com as demais famílias que se encontram em um ginásio, nas proximidades do acampamento, de onde foram despejados pela Polícia Militar.

Segundo o deputado estadual Frei Anastácio, a polícia prendeu os trabalhadores, alegando que eles haviam botado fogo em um dos tratadores que estavam destruindo a plantação do acampamento.

A operação de despejo foi realizada nas primeiras horas de hoje, por cerca de 200 policiais com viaturas, homens do pelotão de choque com cães e a cavalo. Eles despejaram 300 famílias do acampamento. “A polícia agiu usando spray de pimenta e agredindo trabalhadores, como se eles fossem bandidos”, denunciou o deputado estadual Frei Anastácio (PT).

O parlamentar disse que o acampamento foi criado no dia da Proclamação da República (15/11), em 2013. “Todas as barracas e a plantação que as famílias fizeram foram destruídas pelos tratadores da usina São João, sob proteção do aparato policial. Foram destruídos mais de mil pés de banana, mais de 200 pés de coco, muitos maniva de macaxeira e outras culturas como milho, feijão e melancia. É uma tristeza ver uma cena dessa, no meio de famílias que passam fome”, lamentou o deputado.

O deputado criticou o aparato de guerra montado para agir contra famílias indefesas. “Enquanto a violência de alastra no estado, não se ver nenhuma ação assim, com tantos policiais, em busca de drogas e de bandidos assassinos e ladrões. Mas, contra trabalhadores que estão num pedaço de chão tentando colher os frutos da terra para sobreviver, é formada uma verdadeira operação de guerra. Além de queimar e destruir tudo, ainda agiram contra a dignidade das pessoas, com espancamento, palavras ofensivas e invasão de casas humildes”, disse Frei Anastácio.

 A terra é da igreja

 Segundo Frei Anastácio, os acampados são todos do distrito de Livramento, onde moram cerca de três mil famílias. Segundo ele, as famílias receberam terrenos para construir casas, doados pela igreja católica, na gestão de Dom José Maria Pires, quando era arcebispo da Paraíba. “São cerca de 1.000 hectares de terras que pertencem a Arquidiocese da Paraíba e foram griladas pela usina São João. É justamente essa terra que as 300 famílias estão reivindicando. Mesmo assim, a usina entrou com ação de despejo e conseguiu destruir o acampamento”, disse o deputado.

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