Assistência técnica implanta tecnologias alternativas em assentamentos no Semiárido paraibana

A fim de preparar as famílias assentadas para a convivência com a seca, técnicos da Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap), uma das entidades contratadas pelo Incra na Paraíba para prestar assistência técnica em áreas de reforma agrária, estão implantando tecnologias alternativas no Semiárido. Neste mês de julho, as 27 famílias do assentamento Dorcelina Folador, em Cubati, a 216 quilômetros de João Pessoa, ganharam duas barragens subterrâneas que vão dar suporte hídrico à produção em pequena escala de plantas forrageiras, frutíferas e hortaliças.

No município vizinho de Barra de São Miguel, a Coonap também construiu, em fevereiro, uma barragem subterrânea na unidade demonstrativa (UD) do assentamento Bom Jesus I. A UD foi implantada em uma das parcelas do assentamento e servirá como local para intercâmbio e troca de ideias entre técnicos e assentados.
Todos os processos dos projetos, desde a elaboração até a execução, foram acompanhados por técnicos da Coonap e do Incra na Paraíba.
Dos 35 assentamentos da reforma agrária de 16 municípios atendidos pela Coonap, apenas 11 assentamentos, localizados nos municípios de Areia, Pilões e Serraria, no Brejo paraibano, situam-se fora da região conhecida como Semiárido.

 

Parcerias
As duas barragens subterrâneas do assentamento Dorcelina Folador foram construídas por meio de uma parceria com a Prefeitura de Cubati, responsável pela escavação das valas com retroescavadeira. Coube à Coonap o fornecimento da lona e a assessoria técnica no trabalho, realizado em conjunto com as famílias assentadas.
As tecnologias alternativas implantadas pela Coonap no assentamento incluem, ainda, a construção de cisternas calçadões e de enxurradas destinadas a armazenar água para a produção. Todas as casas do Dorcelina Folador ganharam cisternas de placas para armazenar água para o consumo humano construídas com recursos do Crédito Semiárido do Incra.
Segundo o técnico da Coonap Jânio de Araújo Oliveira, a comunidade recebeu também um barreiro de trincheira por meio do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).
“O objetivo desta técnica é o armazenamento de água durante o período de estiagem em um reservatório com menor capacidade de evaporação. Como a água fica em total contato com o solo, sem a suspensão de represa, a evaporação torna-se mais lenta, armazenando água por mais tempo do que um barreiro comum”, afirma o técnico.

 

Barragem subterrânea
Oliveira esclarece que a barragem subterrânea é instalada em um ponto estratégico do terreno, onde escorre o maior volume de água no momento da chuva. A construção inclui a escavação de uma vala perpendicular ao sentido da descida das águas até a profundidade onde se encontra a camada mais endurecida do solo. Dentro da vala, estende-se uma lona plástica de aproximadamente 50 metros de comprimento por toda a extensão da parede. Após o plástico estendido, a vala volta a ser fechada com a terra.
“A impermeabilidade barra o escoamento da água da chuva e provoca sua infiltração no solo, reduzindo a evaporação. Assim, cria-se uma vazante artificial onde a umidade do solo se prolonga por longo tempo, chegando até quase o final do período seco”, explica Jânio Oliveira.

Fonte: ww.incra.gov.br

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