Capangas armados invadem acampamento de sem terra e atiram contra 80 famílias

Um conflito de terra na fazenda Imbiguda, no município de Casserengue, a 152 quilômetros de João Pessoa, no Curimataú, deixou dois trabalhadores sem terra feridos a tiros na madrugada desta segunda-feira. Os dois estão internados no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Segundo o deputado estadual Frei Anastácio (PT), as 80 famílias que estão acampadas na fazenda, foram cercadas por 15 homens armados que abriram fogo.

“Esse conflito começou há oito meses e, de forma covarde, os capangas da fazenda, nesta madrugada, surpreenderam as famílias atirando para matar. Por sorte não aconteceu um desastre maior”, disse o deputado.

As famílias, que são acompanhadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estão no imóvel aguardando o andamento do processo de desapropriação da fazenda desde o mês de Julho de 2013, quando foi realizado o pedido ao Incra  e ao Governo do Estado.

Frei Anastácio informou que segundo o MST, a fazenda tem dois mil hectares, é improdutiva e estava abandonada pelos donos. Segundo o deputado, os sem terra estão decididos a ficarem na área. “Já na manhã desta segunda-feira, depois de sofrerem o ataque dos capangas, as famílias foram visitadas pela polícia pressionando para que a área seja desocupada. Enquanto isso, os capangas que atiraram nos trabalhadores não foram nem procurados”, denunciou o deputado.

O deputado lamentou, que enquanto trabalhadores e trabalhadoras procuram terra para trabalhar e afastar os filhos da marginalidade são tratados dessa forma. “Temos a cidade de João Pessoa apontada como a nona mais violenta do mundo, e pouco se faz para combater isso. Mas, quando se trata de trabalhadores que reivindicam terra, logo se forma um aparato policial como se fosse para uma guerra”, argumentou o deputado.

No caso dessa fazenda, dois trabalhadores foram feridos e em vez de irem atrás dos capangas que promoveram o tiroteio, os policiais chegaram oprimindo as famílias para que elas deixem a fazenda. “Ali se encontram mais de 300 pessoas, que estão evitando a marginalidade. Elas estão reivindicando terra para trabalhar e fugir das periferias das cidades, onde veriam seus filhos viciados em drogas e com morte certa. Esse povo só quer um pedaço de chão para tirar o sustento da família”, desabafou Frei Anastácio.

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