Caravana faz mobilização pedindo justiça no julgamento de trabalhadores rurais

unnamedUma caravana formada por mais de cinqüenta pessoas realizou um dia de mobilização, ontem (22), na região do Agreste em defesa da reforma agrária e por justiça no julgamento de sete trabalhadores rurais, de Mogeiro, que irão a julgamento no dia 27, no Tribunal do Júri, em João Pessoa. “Os trabalhadores estão sendo acusados por um crime que não cometeram há 15 anos. Por isso, tanta gente saiu em defesa deles”, disse o deputado estadual Frei Anastácio, que participou de todas as atividades.
A caravana percorreu os acampamentos Salgadinho, Paraíso e os assentamentos Dom Marcelo e João Pedro Teixeira, todos em Mogeiro. Nesse último, estão 50 famílias despejadas da fazenda Fazendinha e já sofreram vários atentados a tiros, promovidos por capangas da fazenda de onde foram despejadas.
Quem participou da caravana
A caravana foi composta por estudantes, professores, representantes do comando de greve e dos direitos humanos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), integrantes de várias ONGs, Associação Santo Dias, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e mandato do deputado estadual Frei Anastácio (PT).
Segundo Frei Anastácio, a presença da Universidade e de várias ONGs na caravana, marca a retomada de um laço que existia entre esses setores, anos atrás, com a luta pela terra. “Hoje, foi um novo ponto de partida numa luta que une o campo e a cidade em favor dos camponeses. E no dia 27 todos esses setores estarão pedindo justiça no julgamento dos sete trabalhadores que irão a julgamento”, disse o deputado.
Julgamento dos trabalhadores
No próximo dia 27 acontecerá a sessão de julgamento no Segundo Tribunal do Júri de João Pessoa dos trabalhadores rurais Antônio Francisco da Silva, Ivanildo Francisco da Silva, José Luiz dos Santos, José Inácio da Silva Irmão, Marcelo Francisco da Silva, José Martins de Farias e Severino José da Cruz injustamente acusados do assassinato do vaqueiro José Carlos e da tentativa de assassinato do policial civil Sérgio Azevedo, em maio de 2002.
Segundo a acusação, contada pela única testemunha que era a própria vítima, Sérgio de Sousa Azevedo, na noite do fato, por volta das 19h30, ele estava sua moto em velocidade de 60 km, por uma estrada de barro da zona rural, sem iluminação, em noite de lua nova, quando de ambos os lados da estrada, a cerca de cinco metros, surgiram de dentro do mato quatro pessoas atirando contra ele. Ainda segundo esta farsa, mesmo numa estrada sem iluminação, na velocidade de 60 km e na contraluz dos disparos, Sérgio Azevedo disse que reconheceu todos os atiradores.
“A acusação promovida pelo Ministério Público do Estado da Paraíba contra os trabalhadores rurais se constitui num dos maiores processos de criminalização da luta pela Reforma Agrária no Brasil, haja vista a seqüência de violações de direitos humanos perpetuadas pelas instituições do Estado da Paraíba (Sistema de Justiça e Segurança Pública) e pelos latifundiários (antigo Grupo da Várzea)”, afirmou Frei Anastácio.
Frei Anastácio disse ainda que apesar de todas essas acusações forjadas, os agricultores ainda passaram um ano e sete meses presos. Só foram soltos após decisão do Superior Tribunal de Justiça, em 19 de dezembro de 2003. “Diante de tanta injustiça, todas essas entidades e a UFPB estão unidas em defesa dos trabalhadores para que eles não sejam penalizados”, ressaltou o deputado.

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