de Gustavo Bezerra

O deputado federal Frei Anastácio (PT) disse que a realização da Audiência Pública, hoje (10), na Câmara Federal, para discutir fechamento de 39 unidades da Conab em todas as regiões do Brasil trouxe outra grande preocupação. “A grande preocupação que ficou no ar é que não se sabe o futuro da Conab. Da forma como o governo está agindo se caminha para a privatização”, disse o deputado.

A audiência realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aconteceu através de requerimento de Frei Anastácio, que também recebeu assinaturas dos João Daniel (PT/SE) e Célio Moura (PT/TO). Os parlamentares irão elaborar um documento, que será encaminhado à ministra da Agricultura e ao Presidente da República, solicitando que reveja essa posição de fechamento das unidades da Conab.

Frei Anastácio disse que, apesar da exposição feita pelos representantes da Conab, de que tudo está sendo feito para ajustar custos e modernizar a companhia, ele não acreditou nos dados. “Com todo respeito aos senhores, não dá para acreditar que a intenção do governo é só modernizar. Tudo está se desenhando para uma privatização. O governo não tem prioridade para a agricultura familiar”, disse o deputado.

Caminho da privatização

Antoninho Rovaris, secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), também saiu preocupado da audiência. Ele disse que o governo deveria zelar pelo bem público e não fechar. Ele questionou se essa modernização irá beneficiar a agricultura familiar. “Por quanto tempo vão segurar as politicas públicas para o agricultor familiar? O que será o futuro da Conab, por se tratar de um bem público? O governo passado e o atual, não estão preocupados em investir nos programas sociais voltados para a agricultura familiar”, disse Rovaris.

Marcos Rochinski, presidente da Coordenação da Confederação Nacional da Agricultura Familiar do Brasil (Contraf), também manifestou preocupação com fechamento das unidades da Conab e com a exposição feita pelos representantes nacionais da Conab. Ele disse que há grande preocupação sobre o que está por trás dessa proposta de extinguir armazéns públicos. Na opinião dele, a Companhia deveria ser fortalecida, cada vez mais, para regulamentação de estoques. A Conab tem papel estratégico nesse aspecto.

Ele perguntou se esse fechamento não é um ensaio da privatização completa. “Na toada que vem o governo, tememos que isso aconteça com a Conab, como está ocorrendo com outros órgãos do país”, afirmou.

O presidente da Contraf foi incisivo ao criticar o governo pela falta de atenção com a agricultura familiar. Ele disse que os programas públicos não podem viver das migalhas. “Os representantes da Conab vieram aqui pedir emendas aos deputados para os programas geridos pela Conab. Por que o governo não coloca recursos para os programas sociais? O governo tem que dizer se ele vai manter os programas, ou não”, afirmou o representante da Contraf.

Unidades atingidas 

Os representantes da Conab explicaram que do total dos armazéns que serão fechados, 13 estão na Região Centro-Oeste. Goiás (5) e Mato Grosso do Sul (6) são os estados que terão a maior quantidade de unidades fechadas. Nas outras regiões serão cinco unidades no Sudeste, quatro no Norte, três no Nordeste e duas no Sul. Atualmente, a Conab possui 167 armazéns em operação e, com o plano, espera-se que haja uma redução de 39. A Paraíba não será atingida, por enquanto, com esse fechamento de armazéns. 

Os diretores da Conab explicaram ainda que os funcionários das unidades atingidas pela modernização não serão demitidos. Irão trabalhar em outras unidades. Os representantes das entidades representativas dos funcionários da Conab, que também estavam na Audiência, denunciaram que muitos funcionários estão sendo relocados para lugares que ficam até 600 quilômetros de distância de onde trabalham atualmente. Eles temem futuras demissões.

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