IMG-20190522-WA0044           As manifestações estudantis do último dia 15 de maio trouxeram o sentimento de que Jair Bolsonaro não tem condições de governar o País.Os protestos reuniram cerca de um milhão de pessoas em todas as capitais e em 200 outras cidades, na primeira grande manifestação popular contra o governo de Jair Bolsonaro. Certamente virão outras.

O Brasil contestou não apenas o corte de verbas na Educação, mas a incompetência de um Governo que se fecha em seus grupelhos virtuais de apoiadores. A opinião pública, representada por este Congresso, vê um Governo impotente; representada pelas ruas, voltará a se manifestar em pouco mais de uma semana, no dia 30 de maio; representada pela mídia, já declara o Governo moribundo. Bolsonaro, indigno do cargo, chamou os manifestantes de “idiotas úteis usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona”.

Em cinco meses de Presidência, e já estão assim as relações com os eleitores.A atividade econômica do Brasil fechou em negativo no primeiro trimestre, e as perspectivas de crescimento para o ano estão cada vez mais sombrias, temendo-se inclusive uma recessão.O desemprego continua alto, a coalizão governista não tem unidade, e até no primeiro escalão há uma guerra de posições sendo travada. O Ministério da Educação, onde a dança das cadeiras é constante, não apresentou nenhum plano coerente para a área, até agora.

Quem votou em Bolsonaro agora chora, vendo o Brasil caminhar para o abismo. As bandeiras vermelhas voltaram às ruas, e já se fala mais abertamente em impeachment, renúncia, parlamentarismo branco. Formadores de opinião do campo bolsonarista, como Olavo de Carvalho e o cantor Lobão, já veem a ruína iminente do atual Governo. Veículos da grande mídia, como a Globo e o Estadão, percebem a inadequação de Bolsonaro ao cargo.

Se não vier o impeachment antes de dois anos, e novas eleições, há pelo menos duas outras possibilidades, que repetiriam dois episódios esdrúxulos de nossa história: Jânio Quadros renunciando na esperança de voltar ao poder nos braços do povo, e João Goulart governando por meio de um parlamentarismo inventado às pressas.

A alternativa usada por Jânio Quadros, de declarar o País ingovernável e renunciar com a esperança de retornar com poderes ditatoriais, parece se adequar ao caráter de quem diz admirar ditaduras. Mas se o Brasil de 1961 não caiu nessa artimanha, hoje, quase 60 anos depois, também não cairá.

Já o parlamentarismo, ou outro arranjo institucional improvisado, é uma possibilidade. Basta às forças políticas ocuparem o vácuo de poder deixado por Bolsonaro. O Parlamento e a opinião pública têm legitimidade e força para relegar o atual ocupante da Presidência a um papel meramente decorativo, de bobo da corte. Papel que ele, aliás, já desempenha, pois ninguém imagina que alguma ação coerente de seu Governo venha de sua cabeça, ou de sua família, ou dos conselheiros mais próximos.

Claro: ser governado por um bobo não é o melhor dos mundos, mas este Congresso, aliado ao povo e à parte do Executivo que não é alucinada, pode ao menos evitar o caos completo. Teríamos algo parecido com o Governo Itamar, mesmo se as ligações com a milícia carioca e outros crimes relacionados aos filhos de Bolsonaro não levarem a um impeachment do pai.

Enfim, temos, agora, de lidar constitucionalmente com a má escolha feita nas últimas eleições. E, ao mesmo tempo, impedir o sucateamento da Educação e de outras áreas tão importantes para o povo brasileiro. Esse é o sentimento, senhoras e senhores, que se espalha pelo Brasil, mesmo entre os antigos apoiadores de Bolsonaro.

Frei Anastácio Ribeiro

Deputado Federal – PT/PB

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