Frei Anastácio denuncia aumento assustador da violência no campo

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“O retorno da violência no campo está preocupando os trabalhadores rurais em todo o Brasil. Só este ano, 36 trabalhadores rurais já foram assassinados. No mês de maio, 19 trabalhadores foram mortos de forma brutal e covarde no Mato Grosso e Pará. Isso é extremamente preocupante”.

A afirmação é do deputado estadual Frei Anastácio. Segundo ele, na Paraíba, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou a publicação Conflitos no Campo no Brasil e registrou também um aumento de 26% na violência no campo em 2016 e um trabalhador assassinado.

“Isso está acorrendo porque os latifundiários recuperaram a confiança da impunidade com a chegada do governo golpista, que acabou com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e travou as atividades do Incra”, afirmou.

O parlamentar, que também é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, afirma que esses conflitos ocorrem por causa de muita ganância dos latifundiários. No caso do Pará, segundo ele,que não é muito diferente do resto do país, o INCRA e o proprietário negociaram a venda do imóvel para esses fins, mas as conversas emperraram. O dono exigia R$ 32 milhões, quase R$10 milhões a mais que a avaliação oficial. “É extremamente preocupante a situação em que vivemos hoje. Os ruralistas, que agora são chamados os novos latifundiários, têm uma grande agenda e metas, tanto no setor econômico, quanto político e midiático”, alertou.

O deputado afirma que a bancada ruralista na Câmara trabalha para que os direitos dos trabalhadores, que já não são suficientes, sejam ainda menores, ou acabe de vez. Em 2016,segundo o parlamentar, eles conseguiram acabara com a reforma agrária, e tramitam na Câmara Federal matérias que só trazem prejuízos para os trabalhadores.

Projetos contra trabalhadores

“Entre essas muitas maldades estão a MP 759 que abre as portas da legalização da grilagem; a PEC 215 que propõe transferir do Executivo para o Legislativo a atribuição da regularização de territórios indígenas e quilombolas, que dará mais poder aos ruralistas, que têm grande bancada no legislativo. Tem ainda o Projeto de Lei do deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), que conta com o apoio do Ministro-Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e foi redigido numa colaboração com os ruralistas, CNA e CNI. Isso, para permitir que todas as decisões sobre o rigor do licenciamento ambiental fiquem sob a responsabilidade dos Estados, até mesmo a decisão de não ter rigor algum. Acredito que  maior absurda que tramita na Câmara, seja o projeto de lei da Reforma Trabalhista Rural (PL 6442/2016), do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). Ele é o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que é o nome oficial da bancada ruralista. Esse projeto, se for aprovado, trará de volta a escravidão ao campo”, lamentou.

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