Frei Anastácio faz avaliação de reunião de sem terra com direção da Caixa

O parlamentar também denuncia perseguição política em Taperoá

O deputado estadual Frei Anastácio (PT) denunciou hoje (17), na tribuna da Assembleia, que a secretária de educação do município de Taperoá, Flávia da Silva, está praticando perseguição política contra uma estudante de Direito, simplesmente, por ela não ter votado no atual prefeito. “A denúncia foi enviada ao meu gabinete e eu não poderia ficar calado”, disse o deputado.

O parlamentar acrescentou que a secretária de educação determinou que o ônibus escolar da prefeitura, que transporta os estudantes para Campina Grande, determinou que a universitária seja deixada longe da universidade.

“A universitária, que cursa o sétimo período de Direito, é deixada num local escuro e para chegar na universidade tem que atravessar duas pistas, na BR-230, onde trafegam carretas e muitos carros de passeio. Isso acontece no início da noite e às 22h30, quando  Izabela Karolyne de Brito Ramos retorna para pegar o ônibus, correndo o risco de assalto e até de ser estuprada”, disse o deputado.

Frei Anastácio acrescentou que vai enviar um ofício ao prefeito de Taperoá, Jurandir Gouveia, solicitando providências para o fato. “Se ele não resolver esse absurdo desumano, irei entrar na justiça com uma representação contra a prefeitura e a secretária de educação”, anunciou o deputado.

Marcha dos sem terra

O deputado registrou ainda os encaminhamentos da marcha dos sem terra, que estão acampados no Incra desde terça-feira. Segundo ele, os primeiros encaminhamentos foram na reunião com a direção da Caixa Econômica Federal, realizada ontem, em João Pessoa. “Os coordenadores do movimento reivindicam a construção de 500 casas e a reforma de três mil residências nos assentamentos da reforma agrária. Na próxima semana, haverá uma nova reunião para acertar os detalhes”, disse Frei Anastácio.

O petista criticou ainda a falta de interesse do governador do estado em relação à agricultura familiar. “O governador ainda não disse para que veio, em relação à agricultura. Não há nada que venha para incentivar a produção e a melhoria de vida dos agricultores”, afirmou.

Hoje (17), o movimento mantém reunião agendada no Ministério Público Federal, para a criação de uma força tarefa entre governos da Paraíba e de Pernambuco, Incra de Paraíba e Pernambuco e ministério, concentrando trabalho de cadastramento das famílias acampadas e agilidade no processo de desapropriação das terras da usina maravilha.

Reivindicação da Via Campesina

Segundo Frei Anastácio, na pauta de reivindicação apresentada pela Via Campesina ao Incra estão vinte itens. Entre eles, aumento no número de cestas básicas para acampados, liberação de rolos de lona, liberação de recursos das áreas decretadas, desapropriação e demarcação de terras, principalmente da usina Maravilha, onde 1.300 famílias estão acampadas.

Além disso, entre outras coisas, os manifestantes querem políticas públicas para o campo, através dos programas: Terra Sol, Terra Forte, Ates, Maio Ambiente, Apoio Mulher e Pronera. Na pauta também consta o pedido de liberação de área para os filhos e filhas de assentados construírem, casas pelo Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal e melhoria na infraestrutura dos assentamentos. “O Incra está tomando todas as providências e realizando os encaminhamentos possíveis para resolver os problemas apresentados pelos trabalhadores sem terra”, garantiu Frei Anastácio.

A marcha tem a participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Quilombolas. Segundo a irmã Tânia, uma das coordenadoras da CPT, os trabalhadores e trabalhadoras fizeram a marcha de 12 horas, até João Pessoa, e só irão voltar para o acampamento Wanderley Caixe, em Caaporã, depois que as reivindicações forem encaminhadas.

Apuração de crime

Os trabalhadores também querem uma resposta da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Paraíba sobre o caso dos três policiais pernambucanos que tentaram invadir o acampamento Wanderley Caixe, onde foram desarmados, detidos e entregues a polícia, no dia 5 deste mês.

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