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O deputado federal Frei Anastácio (PT/PB) denuncia que 60 mil brasileiros estão morrendo por ano, vítimas dos agrotóxicos. Entre eles, 50 bebês perdem a vida a cada 24 horas, em consequência de veneno no leite. “O Brasil consome cinco litros de agrotóxico, por ano, por habitante. A maior parte é consumida com a comida: 70% dos alimentos crus têm agrotóxicos, assim como a água de praticamente todos os sistemas municipais de abastecimento”, lamentou.

“Nosso sistema de notificação dos danos causados pelos agrotóxicos é imperfeito. Para cada caso registrado, outros 50 não são notificados, segundo pesquisadores independentes e especialistas em saúde pública. No Brasil, mais de 25 mil intoxicações causadas por agrotóxicos foram registradas no período de 2007 a 2014. Se considerarmos as subnotificações e multiplicarmos esse número por 50, isso dá mais de 1,2 milhão brasileiros intoxicados em sete anos, ou quase 160 mil por ano, quatrocentos casos por dia, 60 mil mortes anuais, o mesmo número dos mortos por homicídios. Dessas mortes causadas pelos agrotóxicos, mais de 17.150 por ano, quase um terço, são bebês, que ingerem veneno inclusive pelo leite materno. Cinquenta bebês morrem por dia, em função da ganância do agronegócio. Somos uma sociedade usada como cobaia dos laboratórios agroquímicos. Isso, não podemos admitir. Não podemos pagar esse preço”, denunciou o deputado com base em reportagem divulgada pelo jornal Le Monde e várias outras fontes.

Governo Bolsonaro é campeão em liberação de veneno

O parlamentar relatou que em vários países existe controle e proibição de venenos, em respeito à saúde pública. Mas, no Brasil, a lei tem sido mais tolerante, em prejuízo da vida dos cidadãos. “Apesar de já sermos o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, nos últimos cinco meses o Governo Federal liberou mais 239 novos tipos de defensivos agrícolas, a maioria dos quais, ou todos, danosos à saúde humana. Bolsonaro é campeão em liberação de agrotóxicos na história do país”, afirmou.

O governo liberou, por exemplo, a substância conhecida como Paraquat, que é proibida em mais de 50 países desde 2007, inclusive em seu país de origem, a Suíça. Aliás, nenhum país da Comunidade Europeia, onde as leis são mais rigorosas, permite o Paraquat, pois ele causa câncer, mal de Parkinson, fibrose pulmonar e danos genéticos. “No Brasil, porém, trata-se de uma das substâncias mais vendidas”, disse.

Em setembro de 2017, a Anvisa proibiu o uso do Paraquat. Mas, dois meses depois, liberou a substância. Nesse meio tempo, houve a pressão dos ruralistas e do lobby da fabricante, que levou políticos, inclusive a então deputada Teresa Cristina, hoje ministra da Agricultura, para uma viagem à Suíça. Em tese, a viagem era para “conhecer a capacidade de inovação  da Suíça”. Teresa Cristina deveria ter aproveitado à viagem para pesquisar porque o veneno suíço é proibido em seu país de origem.

Existem 225 ingredientes ativos proibidos lá fora, mas livremente comercializados no Brasil. As leis estrangeiras, em sua maioria, preocupam-se em proteger aqueles povos dos agrotóxicos. Mas elas não podem proteger os brasileiros.

Aqui, ingerimos venenos todos os dias, com o café da manhã, com o almoço, com o jantar. Os agrotóxicos estão no ar e até na água considerada potável: 99% dos sistemas municipais de abastecimento, no Brasil, fornecem água contaminada com agrotóxicos.

Veneno na água, no solo e no ar

Outro produto utilizado largamente pela indústria agrícola brasileira é o Glifosato, conhecido cancerígeno. A fabricante, a Bayer, sofre mais de 11.000 ações judiciais nos Estados Unidos, movidas por pessoas que tiveram câncer em decorrência de sua exposição àquele veneno. No Brasil, o índice considerado seguro de Glifosato na água é cinco mil vezes mais alto do que o que é considerado seguro na Comunidade Europeia. Ou seja, aqui a lei permite uma exposição cinco mil vezes maior ao veneno. Mesmo assim, há vezes em que esses limites tão generosos são rompidos, para o Glifosato e outros agrotóxicos.

“Esses venenos, se não vêm com a comida e com a água, ficam no solo e no ar, e vão se acumulando inclusive em vegetais e animais silvestres. Muitas vezes, um veneno combina-se com outros, criando compostos de efeitos ainda desconhecidos, no longo prazo. Sabemos que esses venenos causam o mal de Parkinson, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, má formação fetal, aborto, endometriose e câncer de diversos tipos. Causam sofrimento e morte, em resumo”, afirmou.

O deputado disse que, segundo informações, as lavouras do Rio Grande do Sul receberam cerca de 100 mil toneladas de veneno, entre os anos de 2012 e 2014. Não por acaso, o câncer passou a ser a primeira causa de morte em 140 municípios. Em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, 80% dos casos de câncer vêm da exposição a agentes químicos.

“É importante saber e divulgar a causa da proibição desses agrotóxicos em outros países. Meu partido, o PT, preocupa-se com a saúde dos brasileiros, e sugere que os ingredientes ativos proibidos no mundo desenvolvido tenham sua liberação no Brasil questionada, e seu registro cassado”, afirmou.

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