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O deputado federal Frei Anastácio (PT/PB) pede providências aos Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde para apurar denúncias de que 92% dos municípios brasileiros estão com água contaminada por veneno. O relatório foi divulgado por entidades independentes, a exemplo da ONG Repórter Brasil e Ministério Público de Santa Catarina e denuncia que para cada brasileiro existem 5,2 litros de veneno no Brasil.

“Os dados existentes no Ministério da Saúde são de difícil entendimento. Assim, coube a entidades independentes, a exemplo da ONG Repórter Brasil e Ministério Público de Santa Catarina, fazer um mapa e um relatório mais claro sobre a presença de agrotóxicos na água. Esses dados estão divulgados em vários portais, na Internet. Queremos uma posição oficial dos Ministérios”, disse o deputado.

O mapa revelou que 75% dos municípios tinham veneno na água, em 2014. Três anos depois, o percentual já era de 92% das cidades. Entretanto, mais da metade dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931, não realizaram testes sobre a contaminação por agrotóxicos, entre os anos de 2014 e 2017.

A legislação determina que os fornecedores de água devem realizar os testes a cada seis meses. Mas, os testes não são feitos, ou os dados não são divulgados.

“Não estou falando apenas de cidades do interior, a Capital Federal, por exemplo, não tem dados sobre a quantidade de venenos que na água é usada para fazer comida e o café que tomamos pela manhã. Pelo que sabemos, é difícil haver um município brasileiro onde a água potável não tenha agrotóxicos. Mas, não sabemos quais venenos, nem sua quantidade exata”, alertou.

Apenas 27 agrotóxicos monitorados

Mesmo os municípios que monitoram os agrotóxicos, controlam apenas 27 deles, dentre os mais de 300 comercializados no Brasil. Desses 27 pesticidas, 16 são classificados como altamente tóxicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e 11 associados a doenças como câncer, disfunções hormonais, doenças crônicas e malformação fetal.

Um problema adicional, segundo o deputado, é que as medições são feitas pelas mesmas empresas ou prefeituras que fornecem a água. Provavelmente, algumas terão interesse em falsificar os dados, por displicência ou algum interesse político ou financeiro. A inserção dos dados no Ministério da Saúde é de responsabilidade dos gestores locais.

“Sou deputado pelo Partido dos Trabalhadores, e priorizo a saúde da maioria, não os lucros de uma minoria. O atual Executivo vai em direção contrária, e continua autorizando a comercialização de novos agrotóxicos, sem avaliar os riscos que estamos correndo. Só no governo Bolsonaro, já foram liberados quase 200 novos agrotóxicos. O Brasil está tomando um banho de veneno”, lamentou.

O sistema de tratamento convencional não é capaz de remover os agrotóxicos da água, então à prevenção é a única solução. Mas, a legislação brasileira é muito permissiva, e está há mais de 10 anos sem revisão, despreparada para novos venenos que todos os anos entram no mercado, e nos nossos corpos.

Um terço dos agrotóxicos usados no Brasil são proibidos na União Europeia. O Brasil, que ficava em segundo lugar mundial no uso de agrotóxicos, superou os Estados Unidos, e agora é o que mais venenos lança em suas terras, águas e ares. Para cada brasileiro, cabe uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a mais de dois pacotes de latas de cerveja.

O problema não é restrito aos municípios dependentes do agronegócio. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e até Manaus, no meio da Amazônia, bebem água envenenada. Em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, quase todas as cidades apresentaram os 27 tipos de pesticidas na água. São Paulo, por exemplo, reúne mais de 500 cidades com todos os 27 pesticidas identificados na água. Cidades históricas, como a pequena Mucugê, perdida no interior da Bahia, ao lado de um Parque Nacional, oferece água envenenada a seus moradores.

Desses 27 pesticidas testados e detectados, 21 são simplesmente proibidos pela União Europeia. O glifosato, agrotóxico mais vendido no Brasil e provável cancerígeno, é permitido na água brasileira numa quantidade 5.000 vezes maior do que é tolerado pela legislação europeia.

Se já é perigoso misturar remédios, mais perigoso ainda é beber diariamente uma combinação de agrotóxicos. Se considerarmos os gastos com saúde pública, e o número de vidas perdidas ou arruinadas, veremos que o ganho com a produtividade da lavoura não compensa essa tragédia.

Não sentimos gosto de veneno na água, nem ficamos doentes de imediato. Mas ao longo do tempo, a intoxicação é inevitável, levando a distúrbios neurológicos que podem causar até suicídios. Muito do estresse e cansaço que sentimos pode ter origem química.

Esse tipo de informação é de interesse público. Talvez os jornais devessem veicular, além da cotação do dólar e a previsão do tempo, o índice de envenenamento da água.

“Associações e sindicatos patronais ligados ao agronegócio contestam os dados, e atacam os jornais que os divulgam com a publicação de notas, memes e matérias pagas. O jogo é pesado. Mas nós, do PT, estamos onde sempre estivemos: ao lado da população, e não ao lado dos interesses de uma minoria que lucra com a doença dos brasileiros. Minoria que, infelizmente, é defendida pelo Governo atual”, disse.

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