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Uma missa campal, no assentamento da Reforma Agrária, Padre João, em Mogeiro, marcou os três anos do assassinato do líder camponês, assentado da Reforma Agrária, suplente de vereador e presidente do PT do município, Ivanildo Francisco da silva, 46 anos, que foi morto a tiros na presença da filha de um ano de idade, dentro da própria casa onde morava.

A missa foi celebrada pelos padres Jean, Ezequiel e Frei Anastácio, no local em que Ivanildo foi assassinado. A casa onde o crime aconteceu foi demolida. Na área, foi construída uma pequena capela que se tornou um memorial ao líder camponês e à luta pela Reforma Agrária.

A missa foi celebrada debaixo das árvores que foram plantadas por Ivanildo, no quintal da casa onde ele morava. Trabalhadores rurais de 20 assentamentos e acampamentos de várias cidades, além de representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), religiosos, amigos, parentes e familiares de Ivanildo participaram da missa realizada no final da tarde de sábado (06).

Memória aos mártires

Durante a celebração, diversos nomes de trabalhadores que foram assassinados, na Paraíba, na luta pela terra e na terra, também foram homenageados com citações de frases deixadas por eles, como exemplo para a posteridade. Ires Rodrigues, uma das filhas de Ivanildo, fez uma homenagem ao pai com um texto dizendo que o líder camponês incomodava tanto ao latifúndio porque era amigo, companheiro, pai corajoso e lutava por terra para todos.

Durante a homilia, os três celebrantes falaram do exemplo encorajador deixado por Ivanildo para os que continuam a lutar por terra. Eles também deixaram uma mensagem para os fiéis baseada no tema da Campanha da Fraternidade que é Fraternidade e Políticas Públicas, e o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. (Is 1,27).

Dentro do contexto, os padres alertaram sobre o projeto de Reforma da Previdência, que está tramitando na Câmara Federal e retira direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Falaram dos cortes de políticas públicas que o governo Bolsonaro está fazendo e afirmaram que tudo isso representa um grande retrocesso em relação a tudo que foi conquistado no Brasil.

Frei Anastácio também destacou os cortes de recursos para a Reforma Agrária e as precárias condições em que se encontra o INCRA na Paraíba. “A sede do INCRA, na Paraíba, teve dois blocos interditados pelo Ministério Publico do Trabalho, por falta de condições para os servidores exercerem suas atividades. Além disso, os próprios servidores do INCRA, em assembleia geral, pediram intervenção da presidência nacional do órgão na superintendência da Paraíba. Como deputado federal, já aprovei um requerimento na Câmara para realização de uma audiência pública com o presidente nacional do INCRA e a ministra da Agricultura, com objetivo de explicar essa situação e apontar soluções”, disse.

Investigação

O deputado Frei Anastácio disse não ter dúvidas de que o assassinato de Ivanildo esteja ligado ao latifúndio paraibano. “As investigações continuam sendo realizadas. A polícia está realizando um bom trabalho e já prendeu dois acusados. Estamos esperando, agora, que a polícia chegue até os mandantes desse crime que repercutiu em todo o Brasil”, disse o deputado.

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