Projeto de lei aprovado pela Assembleia ajuda a evitar problema para quem usa marcapasso

A Assembleia Legislativa da Paraíba aprovou projeto de lei, de autoria do deputado estadual Frei Anastácio (PT), que determina a anotação do uso de marca passo cardíaco nas Cédulas de Identidade expedidas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, para pessoas que usam esse dispositivo em todo o estado. “Essa indicação na carteira de identidade irá evitar constrangimento de muita gente na hora de entrar em estabelecimentos com detectores de metal, a exemplo de bancos”, disse o deputado.

O parlamentar disse que o projeto foi criado, a partir de relatos de constrangimentos sofridos por pessoas que usam esse dispositivo de saúde na hora de entrar em agências bancárias. “Dessa forma, com a existência da lei bastará a pessoa apresentar a carteira de identidade para ter acesso aos estabelecimentos, sem precisar tirar a roupa para mostrar o local de implante do equipamento”, explicou o deputado.

Os detectores de metais em aeroportos e em portas de bancos e dispositivo antifurtos de lojas são passíveis de causar interferências em marca passos tanto unipolares como bipolares. Esses equipamentos podem inibir, deflagrar, reverter ao modo assíncrono e até mesmo modificar a programação dos marca passos, razão pela qual se recomenda aos portadores de marca passos que não se exponham a estes tipos de equipamento.

Atualmente, mais de três milhões de pessoas usam esses pequenos dispositivos no mundo todo, sendo aproximadamente 600 mil implantados todos os anos. Cerca de 27 mil brasileiros implantam marca passos anualmente, de acordo com dados do Registro Brasileiro de Marca Passos (RBM) e DATASUS. O marca passo é um pequeno e leve dispositivo para estimulação elétrica que consiste em um gerador de pulsos e eletrodos. Ele é capaz de perceber a atividade cardíaca, e, quando não há nenhuma pulsação natural, libera um impulso elétrico que leva a contração do músculo cardíaco.

Razões para usar marcapasso

Existem várias razões para a necessidade de marca passos, na maior parte devido a um grupo de circunstâncias chamadas arritmias, em que o ritmo do coração é anormal. O sistema elétrico do coração pode apresentar bloqueios que não permitem a passagem do impulso elétrico. Quando isso acontece, o coração bate mais lentamente, o que resulta em bradicardias ou batimentos lentos do coração, que podem ser acompanhados também de desmaios, tonturas e/ou cansaço. Existem três tipos de bradicardias, dependendo do local onde o bloqueio do sistema elétrico do coração esteja ocorrendo. Nesses casos, geralmente, há necessidade de instalação de um marca-passo artificial.

Além das portas giratórias, presentes, sobretudo em agências bancárias, alguns instrumentos e objetos, que utilizam imãs de neodímio ferro boro (NDFB), cada dia mais comuns, podem interferir nos marca passos, ocasionando, em situações extremas, o óbito dos usuários da referida prótese. Pesquisadores da Universidade de Zurique afirmam que potentes objetos magnéticos usados em alguns produtos comerciais, como discos rígidos de computadores, fones de ouvido, alto falantes e até bijuterias e brinquedos, podem interferir no funcionamento de marca passos e, em última instância, levar à morte. Este estudo suíço foi publicado na revista especializada “Heart Thythm”. A conclusão do estudo, publicado online no http://www.heartrhythmjournal.com, recomenda cautela aos usuários de marca passos em relação ao risco de interferência associado ao campo magnético provocado por instrumentos ou objetos que utilizam imãs de neodímio ferro boro (NDFB) no dia a dia.

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