Trabalhadores de 26 assentamentos da Reforma Agrária participam de encontro em João Pessoa

19875669_1427184717369509_124040030415536592_nRepresentantes de 26 assentamentos da Reforma Agrária do Litoral Várzea, Agreste e Vale do Mamanguape passaram o dia reunidos, ontem (10), na sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em João Pessoa, para discutir estratégias de mobilizações contra as reformas e Medidas Provisórias (MP), que o governo Temer está implantando em relação aos trabalhadores rurais e à Reforma Agrária.

Os trabalhadores que lutaram, conquistaram a terra para trabalhar e dela retirar o sustento de suas famílias realizaram um resgate histórico de cada área durante o encontro. Na avaliação de todos eles, não é possível ficar de braços cruzados diante da atual conjuntura que penaliza o homem do campo.

O deputado estadual Frei Anastácio (PT), que participou da reunião, disse que os trabalhadores rurais paraibanos estão sendo mobilizados para reagir contra as mudanças que estão na reforma trabalhista, e nas Medidas Provisórias do governo que irão acabar com a reforma agrária no Brasil.

“Os trabalhadores serão fortemente prejudicados com a retirada de direitos, a exemplo do retardamento da aposentadoria e modificações na reforma agrária que terá os municípios responsáveis pela realização de cadastros das famílias. Além disso, existem as propostas de relação entre patrões e trabalhadores que trarão uma verdadeira escravidão para o campo”, disse o deputado.

O encontro, promovido pela CPT, teve também uma palestra do assessor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Arnaldo Brito. Ele alertou que os trabalhadores precisam se mobilizar. “O futuro no campo está comprometido. A situação é gravíssima com a política do governo golpista. A Medida Provisória da regularização fundiária atinge 28 leis. Um dos prejuízos é a redução de áreas de preservação para favorecer a venda e compra de terras”, disse Brito.

Arnaldo alertou ainda, que se as Medidas Provisórias do Governo Temer forem aprovadas, a titulação de terra nos assentamentos pode ser dada até depois de um ano, após a desapropriação. “Isso vai permitir um desmanche da reforma agrária. Assentamentos sem nenhuma estrutura para produzir serão passados para as mãos dos trabalhadores. Uma prova da total falta de compromisso do governo com a produção da agricultura familiar”, afirmou.

Frei Anastácio disse que, além de mobilizações, os trabalhadores e a população que acredita na agricultura familiar, tem que tomar uma posição através do voto, no próximo ano. “Não se pode esperar nada de bom desse Congresso que aí está. A grande maioria está comprometida com os empresários e latifundiários. Eles farão de tudo para atender aos interesses dos grandes. Mas, com o voto consciente poderemos mudar essa realidade”, afirmou o deputado.

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