Trabalhadores estão revoltados com suspensão de desapropriação de terras na Paraíba

O deputado estadual Frei Anastácio disse, hoje (08), que os trabalhadores rurais paraibanos e os movimentos sociais ligados à luta pela terra, estão revoltados com o ato do governo Temer que suspendeu o Decreto de desapropriação das fazendas  Macacos, Boi Preto, Pereiros, Pimenta e Logradouro, no município de Sousa, Sertão paraibano.

“Esse é mais um absurdo desse governo ilegítimo e os trabalhadores não aceitarão calados. Tudo isso está vindo de uma Câmara Federal, que com raras exceções, é uma vergonha para o Brasil e para o mundo. Um antro de ladrões que assaltam o povo brasileiro e agora estão roubando conquistas e sonhos de pessoas humildes, como indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais sem terra”, disse o deputado.

O parlamentar explicou que aquelas terras representam uma conquista de muita luta dos trabalhadores sertanejos. “O Decreto de desapropriação foi assinado pela presidente Dilma, no dia 01 de Abril de 2016 e beneficiou 40 famílias, que iriam tirar seu sustento em 1.191 hectares de terras. Mas, esse sonho agora foi transformado em pesadelo pelo golpista no poder”, afirmou.

O parlamentar relata que a assinatura do decreto pela presidente da República, Dilma Rousseff, foi realizada em cerimônia legítima no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), na manhã de 1º de abril, com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Patrus Ananias, da então presidente do Incra, Maria Lúcia de Oliveira Falcón, de representantes de movimentos sociais e sindicais ligados ao campo e integrantes de comunidades quilombolas. “Foi tudo feito dentro da legalidade. Mas, esse governo, que tem dívida com os ruralistas, está fazendo de tudo para agradá-los”, denunciou.

Frei Anastácio lembrou que naquela solenidade, 21 áreas de 13 estados foram decretadas de interesse social para fins de reforma agrária. Outras quatro áreas de quatro estados foram declaradas de interesse social para fins de desapropriação para regularização de terras remanescentes de quilombos. A assinatura dos decretos asseguraria 34 mil hectares de terras para a reforma agrária e 21 mil hectares para a regularização de territórios quilombolas. Os atos beneficiariam, ao todo, 1.844 famílias, sendo 1.164 de trabalhadores rurais e 680 de descendentes de escravos.

“Os golpistas estão desconsiderando todos esses benefícios. No total, existem 29 projetos para sustar decretos de desapropriação para reforma agrária e regularização de territórios quilombolas e terras indígenas, que totalizam 826,6 mil hectares, o equivalente a 8,26 mil quilômetros quadrados. Eles alegam desvio de finalidade nos decretos assinados por Dilma. Tudo isso, porque não é do interesse dos ruralistas que toda essa gente tenha terra para trabalhar e viva dignamente. Eles querem a escravidão de volta ao campo. Eles querem o fim da Reforma Agrária”, afirmou o deputado.

O deputado citou que todo esse desmonte de conquistas no campo, está sendo promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, da Câmara dos Deputados, comandada por Temer, O projeto que atinge as fazendas em Sousa é do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).

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