Trabalhadores realizam manifestação para comemorar liberdade

11248800_871601039594549_4336921719102113024_nTrabalhadores de vários assentamentos da reforma agrária, além de acampamentos, padres, religiosos, advogados, representantes de entidades de direitos humanos, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o deputado estadual Frei Anastácio (PT) participaram de uma carreata, ontem (29), em comemoração a absolvição de sete trabalhadores rurais de Mogeiro, julgados no dia 27, no Tribunal do Júri em João Pessoa.

“A justiça foi feita e nosso objetivo, com a manifestação, foi divulgar isso e mostrar para a sociedade que os trabalhadores continuam unidos em sua luta na terra e por terra para trabalhar. A liberdade deles representa uma vitória de todos aqueles que lutam pela reforma agrária na Paraíba. E por onde a carreata passou, recebemos manifestação de apoio do povo nas calçadas e nas ruas”, disse Frei Anastácio.

A manifestação, chamada de “Caminhada da Liberdade”, teve um percurso de aproximadamente 10 quilômetros, saindo do assentamento João Pedro Teixeira até o Assentamento Dom Marcelo Carvalheira, ambos em Mogeiro. Os participantes saíram com bandeiras da CPT em carros, motos e soltando fogos para chamar a atenção da população de que ali estavam sete trabalhadores livres de acusações injustas.

Prisão injusta

Os trabalhadores rurais Antônio Francisco da Silva, Ivanildo Francisco da Silva, José Luiz dos Santos, José Inácio da Silva Irmão, Marcelo Francisco da Silva, José Martins de Farias e Severino José da Cruz foram absolvidos, por unanimidade, das acusações do assassinato do vaqueiro José Carlos e da tentativa de assassinato do policial civil Sérgio Azevedo, em maio de 2002, na região de Mogeiro.

Apesar de toda fragilidade das acusações, os agricultores ainda passaram um ano e sete meses presos. Só foram soltos após decisão do Superior Tribunal de Justiça, em 19 de dezembro de 2003. Depois que foram soltos para responder ao processo em liberdade, dois trabalhadores desenvolveram doenças contraídas durante a prisão. Severino dos Ramos dos Santos, Raminho, faleceu e Severino José da Cruz, Seu Dino, teve que amputar as duas pernas.

Emoção e choro

       A manifestação foi concluída com um ato religioso, no assentamento Dom Marcelo, onde os sete agricultores moram. Os assentados, agora inocentados de tudo, agradeceram o empenho da CPT, de Dom Marcelo Carvalheira, dos advogados e dos deputados Frei Anastácio e Luiz Couto que durante a prisão deles e até o dia do julgamento permaneceram dando toda assistência necessária.

       Emocionados, alguns trabalhadores também relataram a atuação de Marinho Mendes, promotor de Justiça do julgamento. “Ele foi um anjo enviado por Deus para ajudar a comprovar nossa inocência. Tanto é que ele mesmo pediu a nossa completa absolvição”, disse um dos trabalhadores chorando de emoção ao relembrar a atuação do promotor.

Criminalização da reforma agrária

Segundo o advogado Noaldo Belo, um dos que defenderam os agricultores durante todo o processo, a acusação promovida pelo Ministério Público do Estado da Paraíba se constitui num dos maiores atos de criminalização da luta pela Reforma Agrária no Brasil. Segundo ele, uma continuação de violações de direitos humanos perpetuada pelas instituições do Estado da Paraíba (Sistema de Justiça e Segurança Pública) e pelos latifundiários (antigo Grupo da Várzea).

Durante a detenção e prisão dos trabalhadores foram relatados diversos abusos e constrangimentos, dentre eles: a falta de acesso aos seus advogados, tortura física e psicológica, humilhações e perseguições aos familiares. Todos estes fatos foram devidamente contextualizados e enviados à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, às relatorias especiais da ONU e aos órgãos de proteção dos direitos humanos no Brasil.

 

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