Trabalhadores rurais lamentam mortes e retirada de direitos, em sessão na Assembleia

P_20170817_150212Discursos de revolta, muitos cânticos, encenações sobre a violência no campo marcaram a Sessão Especial realizada hoje (17), pela Assembleia Legislativa, para comemorar o Dia do Agricultor. A propositura foi de autoria do deputado estadual Frei Anastácio (PT). “Temos a história para comemorar e muito a lamentar, com a violência, retirada de direitos dos trabalhadores e extinção de programas sociais voltados para a agricultura familiar”, disse Frei Anastácio.

Durante a sessão, também foi lançada a Cartilha Conflitos no Campo Brasil 2016, pela Comissão Pastoral da Terra. Quem fez a apresentação da nova edição foi o professor da Universidade Federal da Paraíba, Jonas Duarte. A publicação anual revelou que no ano passado, foram registrados 1.536 conflitos no Brasil, por água e terra, envolvendo 99.843 pessoas. Nos conflitos, 61 pessoas foram assassinadas, entre elas muitas crianças.

 

Emoção

 

Aqui na Paraíba, um dos casos de violência, em 2016, foi o assassinato do Agricultor  Ivanildo Francisco da Silva,46 anos, no assentamento Padre João Maria, em Mogeiro. Uma das filhas do agricultor assassinado, dentro de casa, a tiros, em Mogeiro, lamentou a morte do pai e pediu para que os agricultores não deixassem a luta pela terra e na terra, parar. Ela narrou que o pai foi morto quando estava com uma filhinha de colo nos braços.

“O dia do agricultor é comemorado em 25 de julho, mas a Assembleia estava de recesso, por isso estamos realizando a sessão depois da data. “Não podemos deixar de comemorar essa data. Os agricultores familiares são responsáveis por mais de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa”, explicou o deputado.

A sessão contou com a presença de trabalhadores rurais de várias regiões do estado, de assentamentos da reforma agrária que lotaram o plenário e as galerias da Assembleia. Também estavam presentes, representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ONGs,Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Paraíba (Fetag),Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Secretaria de Agricultura do Conde,Coasp, Fetraf,Rede de Educação Cidadã,Polícia Militar e UFPB.

Segundo Frei Anastácio, este ano, os agricultores não tiveram muito o que comemorar, diante das investidas do presidente golpista. “Celebramos o Dia do Trabalhador Rural, mas lamentamos o atraso que a agricultura familiar está enfrentando. O governo golpista está cortando programas sociais, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário e desarticulou o Incra. Os agricultores não podem, mas vender sua produção à Conab, como faziam, porque o governo reduziu em 85% dos recursos para o PAA”, disse o deputado.

O parlamentar lamentou ainda o aumento da violência no campo, em todo o Brasil. Ele relatou que apenas nos primeiros quatro meses deste ano, 20 trabalhadores rurais foram assassinados. Esse número já supera as mortes no ano de 2016. E até agora, já são 49 trabalhadores assassinados, segundo o deputado.

Outro ponto abordado na sessão foi a reforma da Previdência. O presidente da Fetag, Liberalino Ferreira, alertou que se a reforma for aprovada como está, os trabalhadores rurais não irão se aposentar. “Voltaremos aos anos de 1970, quando os agricultores acima de 60 anos eram obrigados a morar em casas de idosos, para não ficarem na rua. Vamos dar a resposta em 2018, através do voto”, disse Liberalino.

P_20170817_150124Vários trabalhadores e trabalhadoras usaram a tribuna para elogiar a dedicação de Frei Anastácio à luta pela terra e na defesa dos que mais precisam na Paraíba. Segundo os agricultores, o deputado desde jovem nunca abandonou as lutas. A iniciativa do parlamentar de realizar a sessão especial também foi parabenizada por todos.

A coordenadora da CPT,Tânia Maria de Sousa,também parabenizou os trabalhadores pelo seu dia e conclamou que todos permanecem unidos na luta. “Precisamos resistir para existir, diante de tudo que está acontecendo. Esse governo que está comandando o Brasil quer acabar com a agricultura familiar. Até o censo agropecuário eles ainda não realizaram, este ano, para não revelar a força da agricultura familiar. O que nós temos e o que somos são frutos da nossa resistência e a CPT está pronta para lutar ao lado de todos”, disse Tânia.

 

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