Via Campesina negocia pauta de reivindicação com autoridades estaduais, federais e Incra

As negociações em torno das reivindicações apresentadas pela Via Campesina, que organizou a marcha dos sem terra da divisa de Pernambuco com a Paraíba, até João Pessoa, já começaram a ser feitas. Hoje (16), houve uma reunião com a direção da Caixa Econômica Federal, pela manhã, e agora a tarde está sendo realizada outra reunião com a superintendência do Incra/PB e outros órgãos.

A marcha tem a participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Quilombolas. Segundo a irmã Tânia, uma das coordenadoras da CPT, os trabalhadores e trabalhadoras fizeram a marcha de 12 horas, até João Pessoa, e só irão voltar para o acampamento Wanderley Caixe, em Caaporã, depois que as reivindicações forem encaminhadas.

Ontem, a marcha percorreu várias ruas da capital paraibana, passou pela Praça João Pessoa, onde ficam as sedes dos três poderes estaduais, e seguiu até a sede do Incra, na Paraíba. Cerca de mil pessoas estão acampadas nas dependências da autarquia.

Na reunião realizada com a direção da Caixa Econômica, na manhã desta quarta-feira (16), depois que os manifestantes resistiram a uma investida da polícia que queria impedir o acesso ao prédio, foram apresentadas duas reivindicações. A primeira é a construção de 500 casas e reforma de outras três mil em assentamentos da reforma agrária.

 “Na próxima semana haverá uma nova reunião entre as lideranças do movimento e a direção da Caixa, quando serão apresentados os projetos de construção e reforma das moradias. Essa reunião também irá definir prazos sobre a liberação dos projetos”, informou a irmã Tânia.

Principais reivindicações

Na pauta de reivindicação apresentada ao Incra estão vinte itens. Entre eles, aumento no número de cestas básicas para acampados, liberação de rolos de lona, liberação de recursos das áreas decretadas, desapropriação e demarcação de terras, principalmente da usina Maravilha, onde 1.300 famílias estão acampadas.

Além disso, entre outras coisas, os manifestantes querem políticas públicas para o campo, através dos programas: Terra Sol, Terra Forte, Ates, Maio Ambiente, Apoio Mulher e Pronera. Na pauta também consta o pedido de liberação de área para os filhos e filhas de assentados construírem, casas pelo Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal e melhoria na infraestrutura dos assentamentos.

Justiça

Os trabalhadores também querem uma resposta da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Paraíba sobre o caso dos três policiais pernambucanos que tentaram invadir o acampamento Wanderley Caixe, onde foram desarmados, detidos e entregues a polícia, no dia 5 deste mês.

Para o deputado Frei Anastácio, que fez pronunciamento na Assembleia Legislativa da Paraíba, sobre o assunto, “enquanto eles foram afastados das funções, presos e respondem a processo administrativo em Pernambuco, aqui na Paraíba o caso foi invertido. Em vez de investigar e indiciar os policiais, aqui no estado a Polícia Civil está procurando incriminar os sem terra que agiram em legítima defesa, ao desarmar e prender os policiais que invadiram o acampamento armados. Os trabalhadores querem uma resposta sobre isso”, disse Frei Anastácio.

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